domingo, 20 de outubro de 2013

ESTUDO DE CENÁRIO – OUTUBRO/2013

Tendências globais
Este é o nosso primeiro estudo com este tema, portanto, vamos tentar primeiro contextualizar o que esta acontecendo no atual cenário econômico.


O mês de setembro foi marcado, no âmbito internacional, pela decisão do FED de dar continuidade aos estímulos monetários. Ao postergar o fim dos estímulos, os juros dos treasuries americanos sofreram uma queda, como podemos ver no gráfico abaixo.



A desvalorização do dólar frente a outras divisas e frente ao real também confirmou nossas expectativas.



O Fed, outrora presidido por Bernanke, se preocupava com três pontos principais da economia norte-americana: 1) dados do mercado de trabalho, em especial o desemprego (menor do que 7%); 2) dados do setor imobiliário, em especial as taxas das hipotecas; e 3) dados fiscais e seus impactos na economia norte-americana. 

A notícia de que Janet Yellen fora indicada para presidir o FED foi recebida pelo mercado com aparente alegria, pois ao que tudo indica Janet Yellen também é defensora dos estímulos monetários protagonizados por Bernanke.

No entanto os QEs não vão durar para sempre, um dia a festa irá acabar, e quando isso ocorrer, provavelmente a economia norte-americana sofrerá um aumento das taxas de juros de seus treasuries, e, além disso, terá que lidar com um endividamento gigante e muitos investimentos mal feitos.

Acredito que no atual contexto da condução da política monetária americana seria inconcebível a redução dos estímulos monetários e a não-elevação do teto da dívida (acertado conforme as expectativas). O que hoje pode trazer uma aparente solução, no futuro pode ser a causa de possíveis problemas que estão se desenhando.

A tendência de longo prazo dos juros dos treasuries de 10 anos é de baixa, mas acredito que a recente alta de 1,6% a.a. para 3,0 % a.a. é algo preocupante para o FED e devemos monitorar isso.



Enquanto se mantiver este cenário, acredito na recuperação do Ibovespa e na queda do Dólar. Já que não podemos prever o futuro, vamos atentar também para uma possível inversão da política monetária americana e suas possíveis consequências para o nosso mercado. 

Aqui no Brasil eu vejo duas questões sensíveis: 1) investimentos e 2) o câmbio e seus efeitos na inflação.

Aparentemente o governo e a iniciativa privada já se convenceram de que para o Brasil crescer no longo prazo é necessário mais investimentos. As perspectivas não são muito agradáveis, e isso tem feito com que os empresários sejam cautelosos ao realizar novos investimentos. Em contra partida, o governo continua se esforçando para estimular os investimentos, um exemplo são as concessões rodoviárias e as concessões de exploração do pré-sal, mas o setor privado não tem demonstrado muito interesse nisso.

Quando olhamos a inflação, medida pelo IPCA, temos o risco de a política de “controle” dos preços administrados do IPCA não se sustentar por muito tempo, pois isso causa um impacto direto na situação fiscal do país. O outro risco inflacionário que percebo é a continuação da valorização do dólar, e seu efeito “de repasse” sobre os preços ao consumidor ao longo do tempo. Atento a uma possível inversão da política monetária americana, continuo com a expectativa de que o cenário atual seja de aumento da inflação.

Um abraço!
Diego C. Moreira

OBS: Este texto é destinado exclusivamente para estudo e não constitui oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro.

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