SÃO PAULO, 27 Fev (Reuters) - O dólar fechou em queda superior a 1 por cento nesta quinta-feira, no menor nível ante o real em dois meses e meio, após o crescimento acima do esperado da economia brasileira no ano passado trazer certo alívio às perspectivas do país, embora especialistas afirmassem que a trégua não deve ser intensa pois o cenário ainda é de preocupações.
Segundo analistas, o tombo ganhou fôlego à medida que investidores, sobretudo estrangeiros, voltaram a desmontar posições compradas na divisa, dando continuidade a um movimento que já vem da semana passada.
A moeda norte-americana caiu 1,19 por cento, a 2,3245 reais na venda, após bater 2,3195 reais na mínima da sessão. É o menor nível de fechamento desde 17 de dezembro, quando terminou a 2,3225 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro deste pregão ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.
"Num primeiro momento, esse PIB melhor do que o esperado deve estancar o crescimento do pessimismo, mas temos que ver como o país vai se comportar no primeiro trimestre para definir se vai ser suficiente para reverter essa onda de pessimismo", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,7 por cento no quarto trimestre de 2013 e fechou o ano passado com expansão de 2,3 por cento, acima das expectativas.
O número vêm em um momento de relativa tranquilidade nos mercados financeiros brasileiros. O dólar já acumula queda de 3,64 por cento em fevereiro, após sofrer intensa pressão no início do ano em meio à onda global de mau humor que dominou os mercados emergentes.
"Ao longo das últimas sessões, está havendo bastante fluxo vendedor (de dólares) por parte dos estrangeiros", afirmou o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki.
O alívio recente foi sustentado pela divulgação, na semana passada, da nova meta de superávit primário para 2014, considerada plausível por investidores.
"O mercado comprou a história de um fiscal melhor e desmontou toda aquela alta que tinha acumulado no começo do ano", resumiu o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros. No final de janeiro, o dólar chegou a ser negociado próximo a 2,45 reais.
Também contribui para o recuo do dólar a constante intervenção do Banco Central no câmbio. Nesta sessão, a autoridade monetária deu continuidade às atuações diárias, colocando no mercado a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Foram 500 contratos para 1º de agosto e 3,5 mil para 1º de dezembro deste ano, com volume equivalente a 197,9 milhões de dólares.
"Leilões diários de swap por parte do BC estão fazendo a diferença e limitando o potencial de valorização do dólar", escreveram analistas da corretora Lerosa em relatório.
Por Bruno Federowski - Fonte: Reuters
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