FRANKFURT, 25 Jul (Reuters) - Os bancos devem endurecer ainda mais suas normas de crédito nos próximos meses, caso a demanda por empréstimos a empresas e consumidores continue fraca, destacando um dilema que o Banco Central Europeu (BCE) enfrenta em seus esforços para revitalizar a economia da zona do euro.
Temores sobre o futuro da zona do euro estão deixando empresas e outros tomadores de empréstimos cada vez mais apreensivos sobre elevar sua carga de dívida e investir em seus negócios, exaurindo a já fraca economia do bloco monetário.
Enquanto isso, bancos têm endurecido regularmente suas normas de empréstimo ao longo dos últimos três anos, em resposta aos problemas da dívida da região, com o objetivo de lidar com as regulações de capital mais rígidas.
Em sua mais recente Pesquisa de Empréstimos Bancários, divulgada nesta quarta-feira, o BCE afirmou que 11 por cento dos bancos dificultaram a obtenção de crédito por companhias no segundo trimestre, enquanto apenas 1 por cento relaxou suas regulações. O balanço líquido de 10 por cento superou a pesquisa do primeiro trimestre, quando o número era de 9 por cento.
O levantamento, realizado em um período de duas semanas que incluiu a cúpula da União Europeia de 28 e 29 de junho, destacou que, mesmo medidas políticas excepcionais, como a injeção pelo BCE de 1 trilhão de euros em dívida com prazo de validade de três anos no sistema bancário entre dezembro e fevereiro, não foram capazes de acalmar os nervos dos mercados de crédito.
"Em suas projeções para o terceiro trimestre, bancos esperam um declínio contínuo na demanda líquida por empréstimos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas", afirmou a pesquisa, adicionando que bancos também pretendem continuar fortalecendo regularmente suas normas para empréstimos.
O BCE não descartou a possibilidade de oferecer mais uma rodada de empréstimos de baixo custo mas, com a baixa demanda por crédito, comentários recentes de autoridades da instituição sugerem que a opção não está em um horizonte próximo.
"A demanda por empréstimos continua sendo um problema", disse a principal economista do HSBC especializada na zona do euro, Janet Henry. "(...) Há pouco que o BCE pode fazer para estimular isso diretamente, pelo menos enquanto a crise de dívida soberana da zona do euro continuar pesando sobre o sentimento".
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