segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PERSPECTIVA: Investidores operam cautelosos esperando medidas econômicas


   São Paulo, 13 de agosto de 2012 - As principais bolsas internacionais
operam sem tendência definida, com alta na Europa e leve queda nos Estados

Unidos. Para o economista-chefe, André Perfeito, em um dia sem notícias e
dados relevantes, o mercado segue hoje uma tendência mais otimista, esperando
que os dados ruins ao longo da semana passada possam levar a anúncios de
medidas de estímulo ao crescimento pelos governos europeus e norte-americano.

   No mercado futuro, o contrato do Ibovespa, com vencimento em agosto, chegou
a apontar abertura em alta, mas há pouco, registrava queda de 0,48%, aos 58.965
pontos. "O Focus [com previsões de economistas ouvidos pelo Banco Central
(BC)] apresentou uma previsão ruim para o crescimento do PIB, o que reforça os
rumores de que o governo federal anuncie mais medidas econômicas essa
semana".

   O Boletim Focus desta segunda-feira apontou a segunda queda consecutiva na
previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o final deste ano.
Após a última projeção de 1,85%, a nova divulgação espera um avanço de
1,81%. A expectativa para 2013 permaneceu aos 4,00%.
   
   A projeção na alta do Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) em 2012 também subiu, com alta pela quinta semana consecutiva, passando
de 5,00% para 5,11%. A estimativa para o final de 2013 se manteve estável em
5,50%, assim como na última segunda-feira. Para os próximos 12 meses, a
expectativa é de que a inflação mensurada pelo IPCA seja de 5,61% ante 5,58%
da semana passada.
   
   A projeção para a Selic (taxa básica de juros) ao final agosto permanece
estável aos 7,5% ao ano (a.a.). O que demonstra que os economistas ouvidos pelo
BC continuam projetando um novo corte de 0,5 ponto percentual (pp) na Selic na
próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre nos
dias 28 e 29 de agosto.

   Na Europa, a forte demanda por títulos da dívida italiana foi vista
positivamente pelo mercado e contribuindo para o leve movimento de alta dos
mercados. O Tesouro da Itália vendeu 8 bilhões de euros em títulos de 12
meses, mas teve de oferecer um retorno aos investidores (yield) maior do que o
registrado no último leilão de papéis semelhantes. Os yields subiram de
2,697% para 2,767%, mas com uma demanda 69% maior que o volume ofertado, contra
55%, no último leilão.

   O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão abaixo do esperado pelo
mercado e sinalizando desaceleração da economia japonesa provocou queda nas
bolsas asiáticas, mas teve pouco impacto na outras bolsas internacionais.

   De acordo com os dados da primeira leitura divulgados pelo Instituto de
Pesquisa Social e Econômica do gabinete oficial do governo japonês (Cabinet
Office) o PIB avançou 1,4%, no segundo trimestre, na comparação anual, e
aumentou 0,3% na comparação com o primeiro trimestre. Os dados indicam, no
entanto, uma desaceleração da economia japonesa quando comparados com os
números dos primeiros três meses deste ano. No período, o PIB cresceu 1,3% em
termos trimestrais (dado revisado). Segundo a consultoria Capital Economics, o
mercado esperava que o Japão crescesse 0,6% no segundo trimestre em relação
ao primeiro.

   No mercado corporativo, entre os destaques na divulgação de resultados
trimestrais de empresas brasileiras está o primeiro balanço da Latam, formado
pela fusão da brasileira TAM com a chilena LAN, e os resultados da Hypermarcas,
empresa que atua nos segmentos das indústrias de produtos de uso pessoal e
para a casa, farmacêuticos e alimentícios.

   O grupo Latam reportou um lucro líquido de US$ 49,7 milhões no segundo
trimestre deste ano, crescendo mais de três vezes ante os US$ 15,9 milhões no
mesmo período do ano passado. Nos seis primeiros meses do ano, o lucro do grupo
avançou 11,1%, atingindo US$ 135,7 milhões. Para o próximo trimestre a
companhia espera melhora na lucratividade e prevê um crescimento na demanda de
passageiros entre 3% a 4% neste ano, considerando as operações das duas
empresas. Em relação à TAM, a projeção é de uma queda na demanda entre 2%
e 3% neste ano, conforme já divulgado anteriormente.

   A Hypermarcas obteve prejuízo líquido de R$ 29,9 milhões, revertendo
lucro líquido de R$ 53,3 milhões do mesmo período de 2011. O resultado do
trimestre veio pouco melhor que o estimado pelo mercado, que previa, de acordo
com a média das projeções coletadas pela Agência Leia, prejuízo líquido de
 R$ 37,98 milhões.


    Mercados Internacionais
       
   Os índices futuros das bolsas norte-americanas operam sem tendência
definida nesta manhã. O S&P 500, com vencimento em setembro, caía 0,09%, aos
1.401,10 pontos, o Nasdaq 100, com vencimento também para setembro, operava em
alta de 0,03%, aos 2.722,00 pontos, e o Dow Jones, com vencimento para o mesmo
mês, operava estável, aos 13.172,00 pontos.
       
   Na Europa, as principais bolsas operam em campos oposotos. O CAC-40, de
Paris, tinha alta de 0,35%, aos 3.447,54 pontos, e o DAX, de Frankfurt,
apresentava ganho de 0,25%, aos 6.962,06 pontos. O FTSE 100, principal índice
da bolsa de Londres, recuava 0,17%, aos 5.837,04 pontos.
   
   No Japão, o índice Nikkei-225, da Bolsa de Tóquio, fechou com recuo de
0,07%, a 8.885,15 pontos. Na China, o Hang Seng fechou em queda de 0,27%, a
20.081,36 pontos, enquanto o índice Xangai composto caiu 1,51%, para 2.136,08
pontos. Na Coreia do Sul, o KOSPI, de Seul, recuou 0,72%, para 1.932,44 pontos.


    Petróleo
       
   Entre os contratos de petróleo, o WTI, com vencimento para setembro,
negociado em Nova York, operava em alta de 0,72%, a R$ 93,54, o barril. Em
Londres, o Brent para o mesmo mês, subia 1,28%, a US$ 114,40.


    Câmbio
       
   O dólar comercial operava em alta de 0,59%, a R$ 2,026. O contrato futuro,
com vencimento em setembro, avançava 0,44%, a R$ 2.033,50.
             

    Juros
       
   Os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) abriram o pregão na
BM&FBovespa em queda. O contrato mais líquido era o com vencimento em janeiro
de 2014, a taxa de juros passava de 7,81% para 7,79%.



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