São Paulo, 27 de agosto de 2012 - A queda nos preços de minério de ferro,
rompendo o patamar dos US$ 120 por tonelada, considerado piso do custo de
produção das mineradoras chinesas, deve resultar numa perda de receita de
exportações brasileiras de minério de ferro estimada em US$ 500 milhões no
terceiro trimestre de 2012, segundo cálculos da Tendências Consultoria.
"Estamos considerando, nesse número, um volume de 80 milhões de
toneladas exportadas, a um preço médio de US$ 97 por tonelada, o que
representa uma redução de 6% em relação ao preço médio praticado no
segundo trimestre deste ano", explica Bruno Rezende, analista de mineração e
siderurgia da consultoria.
A deterioração das cotações da commodity parece ainda não ter
alcançado um novo limite, após perder a referência dos US$ 120, e deverá
trazer forte impacto aos resultados de companhias como Vale e CSN, no terceiro
trimestre. "Começamos o trimestre próximo do patamar dos US$ 120 [por
tonelada], que já é baixo e estamos abaixo dos US$ 100. Em 1 de agosto, estava
em US$ 117. Isso resulta numa queda de cerca de 20% em apenas um mês, que irá
pesar no resultado das empresas. Ainda não é possível fazer um cálculo, mas
prevemos volumes melhores e preços muito ruins neste terceiro trimestre",
aponta Karina Freitas, analista da Concórdia Corretora.
As cotações do minério de ferro no mercado à vista já se mantêm abaixo
do patamar dos US$ 120 por tonelada há cerca de um mês, sem se estabilizar em
um novo nível e registrando consecutivas quedas. "É difícil falar de um
novo patamar. Os preços já estão bastante baixos, em US$ 99,60. E começando
a ficar inviável para os produtores da China. Sabemos que o governo chinês
planeja estímulos, que poderiam incluir uma parada em siderúrgicas para
reduzir os estoques, mas isso não aconteceu ainda e já há empresas dizendo
que não vão cumprir mais contratos futuros de minério de ferro, para comprar
no mercado á vista, que está mais barato", observa Karina.
Luiz Caetano, analista da Planner Prosper Corretora, também acredita nas
fortes perdas no trimestre das mineradoras, apesar de também não apontar um
percentual dessa queda nas receitas das companhias. Quanto à desvalorização
da commodity, Caetano mostra que a curva de contratos futuros de minério de
ferro, da bolsa de Cingapura, ainda dá pistas de novas quedas, com o preço
médio para o terceiro trimestre em US$ 110 por tonelada, para o quarto
trimestre, de US$ 98 por tonelada, e para o final de dezembro em US$ 97,75.
"Estou seguindo esta curva apesar de acreditar que possa haver reversão dessa
queda. A produção de aço na China não está caindo, os estoques não sobem
e as importações chinesas também não caíram. Não há razão aparente para
uma queda sustentável tão forte do minério de ferro, por isso deve se
recuperar em breve", aponta o analista da Planner Prosper.
Para Rezende, da Tendências Consultoria, esse patamar abaixo dos US$ 120
também é de caráter temporário. Se os preços se mantiverem baixos, ações
como a decisão de algumas mineradoras chinesas suspenderem, ainda que
temporariamente, a exploração de minério em virtude do custo, ou de
siderúrgicas no país reduzirem a produção para equilibrar estoques poderão
puxar uma retomada dos preços. "Os mecanismos de ajustes levam um tempo para
ocorrer. Não mudamos nossas projeções e mantemos a expectativa de preços de
US$ 135 para o final de 2012", diz Rezende. Segundo ele, a expectativa é
que os preços de minério de ferro voltem ao patamar acima dos US$ 120 a partir
de setembro, em linha com o que estima o presidente da Vale, Murilo Ferreira.
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