sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PERSPECTIVA CÂMBIO E JUROS: Dólar seguirá incerto e Copom influenciará DIs

   São Paulo, 4 de outubro de 2013 - O dólar comercial deve seguir sem
tendência na próxima semana, esperando por novidades no impasse do orçamento
dos Estados Unidos. Por outro lado, as taxas dos contratos futuros de Depósito
Interfinanceiro (DI) devem ter uma semana agitada, pois na terça-feira (8)
terá início a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central (BC), que irá decidir a Selic (taxa básica de juros) que vigorará nos
 próximos 45 dias.


   "O mercado está dependendo de uma porção de informações. Primeiro em
relação ao orçamento dos Estados Unidos, depois sobre os indicadores
econômicos norte-americanos que deixarão de ser divulgados por causa do
problema com o orçamento. Os investidores seguirão com forte aversão ao
risco, podendo trazer um pouco de pressão sobre o real", afirma Reginaldo
Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio.

   O dólar comercial encerrou as negociações de com alta de 0,36%, cotado a
R$ 2,2090 na compra e a R$ 2,2110 na venda. Durante o dia, a moeda
norte-americana oscilou entra mínima de R$ 2,20 e a máxima de R$ 2,2140. Na
semana, o dólar comercial registrou queda de 1,73%. No mercado futuro, o
contrato de dólar com vencimento em novembro de 2013 apresentou valorização
de 0,17% a R$ 2.227,000 e o contrato com vencimento em dezembro de 2013 avançou
 0,49% a R$ 2.240,500.

   Galhardo ressalta que desde o período que antecedeu a decisão do Banco
Central de realizar leilões diários de swap cambial até os dias de hoje, nada
na economia brasileira mudou. "Tivemos apenas o caso da Moody's alterando a
perspectiva do rating soberano do Brasil. Fora isso, tudo continua igual. O
mercado encontrou uma zona de conforto com o dólar a R$ 2,20 e quando a moeda
fica abaixo desse patamar, alguém entra no mercado comprando dólar, fazendo a
moeda voltar para os R$ 2,20", afirma.

   Segundo relatório elaborado por Luciano Rostagno, estrategista-chefe do
Banco Mizuho do Brasil, o Copom deve elevar a Selic em 0,5 ponto percentual na
reunião da próxima semana, que termina na quarta-feira (9), passando a taxa
para 9,5% ao ano. "A decisão deve ser pautada pela inflação corrente, que
ainda está elevada, e pelo risco imposto pela desvalorização do câmbio ao
cenário prospectivo. Apesar do recuo da inflação na base anual nos últimos
meses, continua com valores elevados", explicou, no relatório, Rostagno.

   No pregão de hoje da BM&FBovespa, a maioria das taxas dos contratos futuros
de Depósito Interfinanceiro (DI) encerrou em queda. A taxa do contrato mais
negociado, com movimentação financeira de R$ 21,8 bilhões e vencimento em
janeiro de 2015, recuou de 10,17% para 10,14%.

   A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2017 caiu de 11,28% para
11,27%, com volume financeiro de R$ 8,8 bilhões, enquanto a taxa do contrato
com vencimento em janeiro de 2016 cedeu de 10,99% para 10,96%, com giro
financeiro de R$ 7,2 bilhões e a taxa do contrato com vencimento em abril de
2014 permaneceu estável em 9,64% (R$ 4,2 bilhões).

   A taxa do contrato com vencimento em julho de 2014 recuou de 9,86% para
9,84%, com movimentação financeira de R$ 4,1 bilhões, enquanto a taxa do
contrato com vencimento em julho de 2016 caiu de 11,23% para 11,20%, com volume
financeiro de R$ 1,9 bilhão. A única taxa de contrato entre os mais líquidos
que apresentou alta foi o de vencimento em janeiro de 2014, avançando de 9,38%
para 9,41%, com giro financeiro de R$ 13,1 bilhões.

   O número de contratos negociados na bolsa brasileira foi de 777.682, queda
de 36,3% na comparação com a sessão de ontem (3). O volume financeiro das
operações totalizou R$ 66,849 bilhões.
   

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