São Paulo, 26 de dezembro de 2013 - Mudança foi a palavra que permeou o
ano da processadora de alimentos BRF, companhia oriunda da fusão entre Sadia e
Perdigão. A primeira grande transformação de 2013 para a processadora foi a
entrada do sócio-fundador do Pão de açúcar, Abilio Diniz, na presidência do
conselho da companhia.
Em meio a muitas polêmicas, Diniz assumiu a presidência do grupo em abril.
O nome do executivo para ocupar a vaga de presidente do conselho de
administração da processadora não era consenso entre os fundos de pensão que
controlam a empresa. A Tarpon liderou um grupo, no qual estava a Caixa de
Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), o fundo de pensão do
banco, que queria mudanças, enquanto a Fundação Petrobras de Seguridade
Social (Petros), o fundo de pensão da estatal petrolífera, acreditava que a
empresa deveria continuar com a liderança de Nildemar Secches.
Já na primeira coletiva de imprensa como presidente do conselho da BRF,
Abilio Diniz declarou que os esforços seriam feitos para aumentar a
participação da companhia no mercado externo e para melhorar o desempenho das
marcas da companhia.
Uma das primeiras modificações do novo conselho foi o desligamento de dois
vice-presidentes: José Eduardo Cabral, de mercado interno, e Wilson Mello, de
assuntos corporativos. A saída de José Antonio Fay, antigo presidente da
empresa e que participou do processo de formação da companhia, também foi um
marco importante. Sob a direção do novo presidente, Claudio Galeazzi, a
companhia iniciou o processo de reestruturação e mudou algumas das
estratégias de ação. Neste mês, saiu um dos últimos membros da antiga
gestão, o vice-presidente de finanças, administração e relações com
investidores, Leopoldo Saboya.
No começo de dezembro, Sylvia Leão, vice-presidente da recém criada área
de Marketing e Inovação, afirmou que a companhia deverá reduzir entre 20% e
30% o portfólio total de produtos em 2014. "A partir de janeiro a gente
começa a implantação. É um processo de simplificação na gestão que ajuda
a companhia em todos os sentidos", disse. Somente em 2012, a companhia lançou
454 novos produtos, sendo 99 produtos no mercado interno, 82 da área de
alimentação fora do lar (foodservice), 216 no mercado externo e 54 no segmento
de lácteos. O objetivo, segundo a antiga diretoria, era repor as marcas
perdidas.
Em 2012, a BRF foi obrigada a retirar 730 mil toneladas de capacidade de
produção, como cumprimento do Termo de Compromisso de Desempenho (TCD)
estabelecido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a
aprovação da fusão entre Sadia e Perdigão, que deu origem à companhia.
Segundo Sylvia Leão, a nova estratégia da companhia é colocar o
consumidor no centro das operações. Mesmo com a redução de portfólio, os
lançamentos continuarão. "Vamos fazer uma readequação de portfólio",
comenta, ressaltando que a ideia é lançar 143 novos produtos no próximo ano.
"O processo de inovação foi uma das maiores diretrizes na nossa área. A
média era um novo SKU [Stock Keeping Unit, em português Unidade de
Manutenção de Estoque] a cada cinco dias. Isso não é gerenciável",
comentou.
Mesmo com tantas mudanças, as ações da companhia, até o dia 15 de
dezembro, valorizaram cerca de 19%. "Desde a mudança no final do ano passado,
o papel reagiu muito bem com o discurso de ganhar mercado e a empresa ganhar
eficiência", disse Nataniel Cezimbra, analista do BB Investimentos,
ressaltando que o desempenho do terceiro trimestre do ano, porém, deixou a
desejar. "Apareceu queda de volume e sem muito ganho de receita. O papel
perdeu a dinâmica que estava acontecendo desde o início do ano. Vamos ver como
fica agora com a empresa reduzindo algumas linhas de produtos para ganhar
eficiência", avaliou o analista.
A BRF iniciará 2014 com expectativas positivas. No início do quarto
trimestre deste ano, a companhia anunciou acordo com a Minerva Foods para
transferir ao frigorífico sua divisão de bovinos. A união criará uma nova
empresa, que se tornará subsidiária integral da Minerva. Após a conclusão do
acordo, a BRF passará a deter 16,8% do capital social da Minerva, por meio da
emissão de 29 milhões de novas ações da companhia.
A transferência dos ativos da divisão de bovinos da BRF inclui as plantas
de abate de Várzea Grande e Mirassol, com capacidade para abater 2,6 mil
cabeças de gado diariamente, assim com os funcionários envolvidos nas
atividades da nova companhia que será criada. "A negociação foi positiva
para a BRF. ficou com poder na Minerva e se livrou de um ativo que não é o
core [principal negócio]. A companhia ganha um poder muito representativo",
afirmou.
Para Cezimbra, a BRF tem tudo para em 2014 retomar o plano de estratégia de
aquisições e apresentar ganho de receita. Segundo as previsões do novo
presidente da companhia, os ganhos com eficiência devem somar cerca de R$ 1,9
bilhão até 2016.
Fonte: Kauanna Navarro / Agência CMA
ano da processadora de alimentos BRF, companhia oriunda da fusão entre Sadia e
Perdigão. A primeira grande transformação de 2013 para a processadora foi a
entrada do sócio-fundador do Pão de açúcar, Abilio Diniz, na presidência do
conselho da companhia.
Em meio a muitas polêmicas, Diniz assumiu a presidência do grupo em abril.
O nome do executivo para ocupar a vaga de presidente do conselho de
administração da processadora não era consenso entre os fundos de pensão que
controlam a empresa. A Tarpon liderou um grupo, no qual estava a Caixa de
Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), o fundo de pensão do
banco, que queria mudanças, enquanto a Fundação Petrobras de Seguridade
Social (Petros), o fundo de pensão da estatal petrolífera, acreditava que a
empresa deveria continuar com a liderança de Nildemar Secches.
Já na primeira coletiva de imprensa como presidente do conselho da BRF,
Abilio Diniz declarou que os esforços seriam feitos para aumentar a
participação da companhia no mercado externo e para melhorar o desempenho das
marcas da companhia.
Uma das primeiras modificações do novo conselho foi o desligamento de dois
vice-presidentes: José Eduardo Cabral, de mercado interno, e Wilson Mello, de
assuntos corporativos. A saída de José Antonio Fay, antigo presidente da
empresa e que participou do processo de formação da companhia, também foi um
marco importante. Sob a direção do novo presidente, Claudio Galeazzi, a
companhia iniciou o processo de reestruturação e mudou algumas das
estratégias de ação. Neste mês, saiu um dos últimos membros da antiga
gestão, o vice-presidente de finanças, administração e relações com
investidores, Leopoldo Saboya.
No começo de dezembro, Sylvia Leão, vice-presidente da recém criada área
de Marketing e Inovação, afirmou que a companhia deverá reduzir entre 20% e
30% o portfólio total de produtos em 2014. "A partir de janeiro a gente
começa a implantação. É um processo de simplificação na gestão que ajuda
a companhia em todos os sentidos", disse. Somente em 2012, a companhia lançou
454 novos produtos, sendo 99 produtos no mercado interno, 82 da área de
alimentação fora do lar (foodservice), 216 no mercado externo e 54 no segmento
de lácteos. O objetivo, segundo a antiga diretoria, era repor as marcas
perdidas.
Em 2012, a BRF foi obrigada a retirar 730 mil toneladas de capacidade de
produção, como cumprimento do Termo de Compromisso de Desempenho (TCD)
estabelecido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a
aprovação da fusão entre Sadia e Perdigão, que deu origem à companhia.
Segundo Sylvia Leão, a nova estratégia da companhia é colocar o
consumidor no centro das operações. Mesmo com a redução de portfólio, os
lançamentos continuarão. "Vamos fazer uma readequação de portfólio",
comenta, ressaltando que a ideia é lançar 143 novos produtos no próximo ano.
"O processo de inovação foi uma das maiores diretrizes na nossa área. A
média era um novo SKU [Stock Keeping Unit, em português Unidade de
Manutenção de Estoque] a cada cinco dias. Isso não é gerenciável",
comentou.
Mesmo com tantas mudanças, as ações da companhia, até o dia 15 de
dezembro, valorizaram cerca de 19%. "Desde a mudança no final do ano passado,
o papel reagiu muito bem com o discurso de ganhar mercado e a empresa ganhar
eficiência", disse Nataniel Cezimbra, analista do BB Investimentos,
ressaltando que o desempenho do terceiro trimestre do ano, porém, deixou a
desejar. "Apareceu queda de volume e sem muito ganho de receita. O papel
perdeu a dinâmica que estava acontecendo desde o início do ano. Vamos ver como
fica agora com a empresa reduzindo algumas linhas de produtos para ganhar
eficiência", avaliou o analista.
A BRF iniciará 2014 com expectativas positivas. No início do quarto
trimestre deste ano, a companhia anunciou acordo com a Minerva Foods para
transferir ao frigorífico sua divisão de bovinos. A união criará uma nova
empresa, que se tornará subsidiária integral da Minerva. Após a conclusão do
acordo, a BRF passará a deter 16,8% do capital social da Minerva, por meio da
emissão de 29 milhões de novas ações da companhia.
A transferência dos ativos da divisão de bovinos da BRF inclui as plantas
de abate de Várzea Grande e Mirassol, com capacidade para abater 2,6 mil
cabeças de gado diariamente, assim com os funcionários envolvidos nas
atividades da nova companhia que será criada. "A negociação foi positiva
para a BRF. ficou com poder na Minerva e se livrou de um ativo que não é o
core [principal negócio]. A companhia ganha um poder muito representativo",
afirmou.
Para Cezimbra, a BRF tem tudo para em 2014 retomar o plano de estratégia de
aquisições e apresentar ganho de receita. Segundo as previsões do novo
presidente da companhia, os ganhos com eficiência devem somar cerca de R$ 1,9
bilhão até 2016.
Fonte: Kauanna Navarro / Agência CMA
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