terça-feira, 2 de outubro de 2012

BC: sistema financeiro do país continua robusto


BRASÍLIA, 2 Out (Reuters) - O Sistema Financeiro Nacional (SFN) continua mostrando uma capacidade de solvência "robusta" e o cenário externo conturbado não compromete a liquidez no mercado doméstico, informou nesta terça-feira o Banco Central ao divulgar seu Relatório de Estabilidade Financeira.

Isso vale também para os pequenos e médios bancos, mesmo após as recentes quebras de algumas instituições deste porte.
"Os bancos são saudáveis, robustos e temos uma regulação rigorosa. Isso dá solidez ao sistema", afirmou a jornalistas o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles.
documento, que traz dados até junho passado, mostrou ainda que o índice de Basileia do sistema cresceu um pouco, passando de 16,3 por cento em dezembro para 16,4 por cento agora, acima do mínimo exigido de 11 por cento.
"A resilência do sistema é corroborada pelos resultados dos testes de estresse, os quais demonstram que, em todos os cenários analisados, inclusive naqueles que envolvem choques abruptos ou extrema deterioração da situação macroeconômica, o capital regulamentar do sistema bancário permaneceria acima do exigido pelo BC", traz o documento.
O diretor manteve a avaliação de que as instituições financeiras --particularmente as pequenas e médias-- não necessitam de capital adicional para enquadramento ao índice de Basileia III.
PEQUENOS E MÉDIOS
O relatório foi divulgado poucas semanas após a liquidação do banco Cruzeiro do Sul, causada por fraudes contábeis, e do Banco Prosper. Em outubro do ano passado, o BC já havia decretado a liquidação do Banco Morada.
Meirelles disse que a liquidação dos dois bancos foi uma questão "isolada de gestão" e que não há riscos similares entre pequenas e médias instituições financeiras. "Esse é um segmento robusto, bem capitalizado, bem provisionado, que tem liquidez", comentou.
No mesmo dia em que o BC decretou a liquidação do Cruzeiro do Sul e do Prosper, em 14 de setembro, a autoridade monetária anunciou a redução nos compulsórios à vista e a prazo com a finalidade de liberar 30 bilhões de reais para a economia e ampliar a oferta de crédito.
Na época, o BC informou que o movimento não tinha relação com as liquidações. Nesta terça-feira, Meirelles avaliou que a mudança nas regras do compulsório vai permitir melhor distribuição da liquidez.
Pelo documento divulgado nesta terça-feira, o cenário externo conturbado não comprometeu "a liquidez disponível no mercado doméstico, o que permitiu tanto a expansão da carteira de crédito quanto o crescimento dos ativos líquidos no SFN".
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS
O BC informou ainda que o endividamento das famílias chegou a 43,4 por cento da renda disponível em junho, com alta de 1,2 ponto percentual no semestre. Segundo o relatório, a renda manteve-se praticamente constante no período, "estabilidade que se relaciona à redução nas taxas de juros e ao alongamento de prazos".
O diretor do BC comentou que o endividamento das famílias deve permanecer nesse patamar, salientando que esse nível não representa risco. "O endividamento é sustentável porque está ancorado em um dinamismo saudável de crescimento do crédito, da renda e do emprego".
O relatório também mostrou inadimplência alta no primeiro semestre foi influenciada pelo calote no financiamento de veículos. Para o BC, no entanto, ela vai ceder na segunda metade deste ano, puxada pela safra mais recente de dívidas.
"A renda não parou de crescer, o desemprego está baixo e há a redução de juros. Isso leva a acreditar que a inadimplência vai cair", afirmou o diretor do BC.
A despeito das sucessivas avaliações do BC sobre a tendência de queda no calote, a inadimplência não está cedendo. Em agosto, último dado disponível, ficou em 5,9 por cento, estável em relação a julho.

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