São Paulo, 10 de agosto de 2012 - Apesar da Petrobras ter reportado o
primeiro resultado negativo em 13 anos, no balanço financeiro do segundo
trimestre deste ano, os papéis da companhia acumularam ganhos nos pregões
subsequentes. De acordo com os especialistas consultados pela Agência Leia,
essa tendência deverá se manter se persistir os rumores sobre um novo reajuste
para o preço dos combustíveis; neste ano, o Governo Federal já autorizou
dois aumentos, sendo um para gasolina e diesel e outro apenas para o diesel.
Um eventual novo reajuste proporcionaria mais receitas à companhia (e de
quebra reduziria o endividamento), além de diminuir - ou até mesmo zerar - a
defasagem entre os valores cobrados por combustíveis no mercado internacional e
doméstico. Especula-se que o aumento já teria sido, inclusive, autorizado
pelo Governo Federal e seria da ordem de 20%. Esse impacto deverá ser sentido
diretamente pelos consumidores, já que a alíquota da Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Combustíveis) foi zerada no primeiro
reajuste, em junho.
Na segunda-feira, no Rio de Janeiro, a presidente da Petrobras, Graça
Foster, defendeu o aumento dos preços e disse que está conversando
"sistematicamente" com o governo sobre o reajuste. Ontem, o ministro de Minas
e Energia, Edison Lobão, afirmou que há possibilidade de aumento de preços
ainda neste ano, mas que não há, ainda, decisão sobre o assunto. Uma
reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" ontem afirmou que Mantega teria
garantido à Graça Foster o reajuste. O Ministério da Fazenda, porém, negou
por meio de nota que um novo reajuste aconteça neste ano.
O analista Luiz Caetano, da Planner Corretora, prevê que um aumento de 20%
traria um grande alívio para os níveis de alavancagem da companhia. "Caso
ocorresse um aumento deste percentual, estimamos um incremento de R$ 23 bilhões
por ano na geração de caixa da Petrobras (antes dos impostos), o que poderia
minorar significativamente a problema do endividamento", ressalta.
Sem o reajuste, a Planner calcula que a relação entre Dívida Líquida e
ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) sai de
1,7 vezes em dezembro de 2011 para 2,6 vezes ao final deste ano e passa para 3,1
vezes no mesmo período de 2013.
Para a XP Investimentos, o nível de endividamento também preocupa. Assim
como preocupam essas divergências da equipe econômica e a falta de uma
definição sobre o eventual reajuste. "A Graça fala que já pediu o reajuste,
o Lobão diz que vai acontecer só não sabe precisar quando e o Mantega nada.
É evidente que está acontecendo uma queda de braço muito grande. Nós
acreditamos que esse aumento vem e que existe uma janela muito boa para que isso
aconteça, já que a Petrobras registrou prejuízo e a inflação está dentro
da meta. Não dá para a Petrobras continuar prejudicando assim o seu
acionista", avalia. A corretora mantém neutra a recomendação de compra dos
papéis.
Para Rafael Castro, operador da Hencorp, as ações da Petrobras voltaram a
mostrar força na BM&FBovespa. Grande parte deste movimento está nos rumores a
respeito do aumento de preço dos combustíveis, mas também pode se atribuir
uma parcela ao "voto de confiança" que o mercado está dando para a gestão
da presidente da Petrobras, que está no comando da empresa há cerca de seis
meses. "A Graça Foster está fazendo muitas revisões nos procedimentos da
empresa e tomando várias atitudes que o mercado sabia que ainda não seriam
possíveis de surtir efeito. Ela está tentando melhorar o que está ruim",
comenta.
O movimento de alta dos papéis, avalia Castro, teve fundamento e mostra que
grandes investidores estão acreditando em algo positivo para a Petrobras. "A
tendência é que os papéis preferenciais (PETR4) fiquem sempre acima dos R$
20. Existe uma barreira forte nos R$ 23, mas se for ultrapassada, as ações
devem buscar os R$ 25. Não dá para precisar uma data, mas esse movimento
poderá ser visto nos próximos 12 meses", disse, baseando-se nos fundamentos
da análise gráfica. As ações fecharam o pregão de ontem cotadas a R$ 21,
com perdas de 0,85%.
Castro afirma que os grandes projetos da Petrobras, como a intensificação
da exploração do pré-sal, devem se concretizar entre 2014 e 2015. Com isso, a
tendência é que os papéis vão ganhando força com o passar dos tempos.
"Era um papel que estava muito largado, mas a tendência é que a rentabilidade
melhore, conforme esses prazos vão ficando mais próximos", disse.
Mesmo após os últimos resultados da companhia, o Deutsche Bank continua
com a recomendação de manutenção para as ações e também com preço-alvo
de
R$ 26, o que representa uma valorização de 23,8% ante o fechamento do pregão
de ontem. Os analistas Marcus Sequeira e Luiz Fonseca avaliam que os principais
riscos para a companhia permanecem sendo a execução do Plano de Negócios, que
prevê investimentos de US$ 236,5 bilhões até 2016, além da forte
ingerência governamental.
Os analistas afirmam, porém, que o mercado deve dar tempo para que a atual
gestão da Petrobras implemente o programa de aumento da eficiência operacional
na Bacia de Campos, lançado no final do mês passado, e execute o programa de
redução de despesas, que deverá ser oficialmente anunciado pela companhia
neste mês. "As ações devem se beneficiar dessas iniciativas quando seus
resultados se tornarem evidentes", avaliam.
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